13 de abril de 2013

A ironia da câmara

Um dos temas mais polêmicos da atualidade gira em torno da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias), provocado a partir de um comentário feito em uma rede social, pelo novo presidente e também pastor da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento. Ele teria dito que “sobre o continente africano, repousa a maldição da miséria, do pragmatismo, do ocultismo e doenças oriundas de lá, como a AIDS e etc.”, já em uma palestra teria dito que John Lennon foi morto por Deus, assim como os Mamonas Assassinas, e acusou Caetano Veloso, de  ter se aproveitado de forças malignas, para fazer sucesso com a musica “sozinho”.
Os comentários feitos pelo "pastor" geraram insatisfações, além de levantar hipóteses sobre uma posição racista e homofóbica. O deputado se esqueceu de que sua opinião, seja lá qual for, deve ser simplesmente deixada de lado no contexto político, com uma teoria racista, Marco Feliciano "iluminado pelo espírito santo" usa como base a bíblia, ou seja, suas "ideias" são religiosas e não legislacionais. O Brasil é um país laico, ou seja, livre de influências religiosas. Politicamente falando, não se pode condenar alguém com bases bíblicas ou relacionadas a fé, pois o Brasil assegura o livre arbítrio religioso,  e você tem direito de acreditar no que quiser, gostar do que quiser, sendo assim  qualquer coisa que vá contra isso, vai de contra a constituição.
 A opinião é algo individual, Feliciano possui o direito de não gostar de gays, negros, ou qualquer outra coisa, mas nada o da direito de discriminar, agredir, difamar etc., sobre isso é importante ressaltar o grau de preconceito. Todos nós temos nossa opinião, sendo assim não há lei no mundo que nos force a ser a favor ou contra determinado assunto, dizer que não gosta de "homens” é diferente de dizer que o homossexualismo é doença, dizer que gosta de ser branco é diferente de dizer que negros são amaldiçoados, o deputado teria usado uma explicação bíblica para justificar seu preconceito, falando que Deus criou o homem para mulher, mas isso é um conceito religioso, ou seja, variante, pois para você pode valer, e para mim talvez.
Não criticarei sem explicar o perigo que o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias apresenta, por ter essa "revelação", Marco Feliciano pode deixar a sua religiosidade, adentrar no congresso e alterar as decisões na câmara, assim como defensor dos Direitos Humanos, o pastor deveria apresentar neutralidade em certos assuntos, ser praticamente livre de preconceito, sem preferir cor de pele, ou sexualidade. Mas como pode alguém homofóbico, racista, tirano e pastor, para defender os mesmos? Cujo ele apresenta aversão.
Isso é uma das maiores ironias e paradoxos que temos em nosso governo, por justo caso a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, visa defender os direitos básicos de cada cidadão independente de seu sexo, sexualidade, cor de pele, religião etc. Especialmente a "minoria" que muitas vezes é desfavorecida ou excluída por não ter voz o suficiente para contestar o que lhe adverte, além de ser cretino, aproveitador, hipócrita e causar uma instabilidade na balança religioso-político, Feliciano diz que a câmara é dominada pelo diabo, logo se a câmara é dominada por satanás, quem está lá deve ter alguma serventia a ele, o que responde a minha duvida: o que um pastor iluminado pelo espírito santo faz na Câmara dos Deputados?
Não sou contra a religião, nem contra o deputado, mas o contexto em que se encontra, as escrituras sagradas e as ideias do deputado são totalmente inaceitáveis, pois só pelo fato de uma pessoa ser negra ou gostar do mesmo sexo o tira o título de humano, deixar um negro sem educação, porque é negro e talvez seja descendente de um africano, e Noé teria amaldiçoado um neto que originaria um povo (que a propósito é uma tese estúpida, e louca). Ou o homossexual deveria apanhar ser queimado pelo fato de sentir atração pelo mesmo sexo ou porque Deus criou o homem e a mulher, ou a mulher deve ganhar menos e ser caseira por uma ideologia introduzida na idade das trevas.
Nós já devíamos ter evoluído dessa mentalidade, estamos em pleno século vinte e ainda com conceitos da idade das trevas, quer dizer que devemos continuar com essa mentalidade atrasada, nesse pensamento de superioridade aos outros, como homens temos esses direitos de optar pelo que quisermos e de viver como bem entendemos, mas esse direito é ameaçado quando se tem alguém que não respeita essas determinadas decisões no poder.
Com um defensor dos direitos humanos, principalmente da minoria, como Marco Feliciano, o racismo e homofobia não ganhariam força?
Fé é uma coisa, dever e direitos são outras, nação e religião só tem em comum o lar, se ele quiser pregar esses conceitos e a bíblia como base de estrutura social, tudo bem, mas que faça isso sobre o teto da igreja, pois assim como ele não é forçado a conviver com os gays ninguém deve adquirir seus conceitos ou simplesmente ouvi-los, além de que na comissão não se deve levar opção alguma seja religiosa ou social em conta, pois se levassem em consideração, só uma pequena minoria seria "humana".
Temos direito a ser o que quisermos, e quem não respeita isso é um tolo, quem interfere ou impede é opressor! Ele pode não gostar, mas que faça isso em silencio, não difundindo coisas absurdas a respeito dos mesmos.


Autor: Melquesedeque Brito
Tipo textual: Crônica
Tema: A polêmica sobre Marco Feliciano
Fonte de pesquisa: internet
Imagem: google imagens
Total: 135 pontos (em 30/04/2013 às 21:07)

Lugar errado


Marco Antonio Feliciano, nascido no dia 12 de outubro de 1972 em Orlândia, São Paulo, foi eleito em março deste ano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), da Câmara dos deputados do Brasil. Sua função é defender todos, mas não é bem isso que está acontecendo.
Uma série de protestos contra Feliciano vem tomando cada vez mais espaço na mídia e na sociedade. Um dos grandes motivos para isso tudo estar acontecendo são suas publicações, sendo em vídeos ou em alguma rede social. Marco Feliciano é acusado de racismo, homofobia, misoginia e estelionato, todas as acusações estão sendo respondidas no Supremo Tribunal Federal (STF). Será que ele realmente é o cara certo para representar todos nós, na Câmara?
A maioria de suas publicações tem ligação com supostos pactos com o demônio, como por exemplo, sua acusação sobre Caetano Veloso, que por sinal é ateu, ter obtido sucesso com a canção "Sozinho", com o auxílio de "forças malignas" após um encontro com Mãe Menininha do Gantois, uma conhecida iyáloxirá brasileira. Disse também que a morte de John Lennon, ex-beatles, foi castigo de Deus, pois o mesmo havia dito em certa ocasião que "os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo". Sobre a morte do cantor, assassinado em 1980 por Mark Chapman, Feliciano disse que se tratou de uma "vingança divina" e que "ninguém afronta Deus e sobrevive para debochar".
Outras publicações também geraram certo tumulto, como ao postar na sua página oficial no Twitter, que "africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polemica. Não sejam irresponsáveis twitters. A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!". Em outra publicação, faz referencia aos homossexuais dizendo que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas", que a partir dai, só intensificaram as acusações de racismo e homofobia.
Marco também se mostrou contrario aos movimentos feministas, pois acha que elas podem tornar a sociedade majoritariamente homossexual, "quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”.
Quando perguntam a ele sobre as suas publicações, algumas ele tenta explicar dizendo que foi apenas uma brincadeira, outras prefere não comentar nada sobre o assunto. Mas se nós formos levar em consideração a gravidade dessas brincadeiras, tiramos a simples conclusão que esse tipo de brincadeira não se tira. Nem com a melhor das intenções. Ainda mais por alguém que ocupa um cargo tão importante na nossa sociedade. Se algum dia, os nossos filhos ousassem em fazer esse tal tipo de brincadeira com alguém, certamente a culpa seria nossa, pois nós como pais, temos que ensinar valores éticos para os nossos filhos. E no caso de Marco Feliciano, de quem é a culpa? Dos nossos representantes? Ou nossa? Pois somos nós quem "escolhemos" quem vai nos representar.
A grande pergunta é: Ele vai sair? Ou vai continuar fazendo mau uso do poder público? Continuar discriminando mulheres, negros e homossexuais não é uma atitude muito aceitável para um presidente da CDHM. É a mesma coisa que colocar um ladrão para ser o presidente do Banco Central. Se bem que no Brasil a situação que se encontra no momento é essa, mais isso é outra história.
Certamente, cada um tem o seu ponto de vista sobre as atitudes de Marco, mas uma pessoa que ocupa um cargo tão importante, discriminar negros e homossexuais dessa forma, está no lugar errado. Ele está lá para defender a todos, não para dizer quem é de Deus ou não.


Autora: Fabiana Vinhote
Tipo textual: Crônica
Tema: A polêmica sobre Marco Feliciano
Fonte de pesquisa: internet
Imagem: google imagens
Total: 75 pontos (em 30/04/2013 às 21:07)